O acesso de Deus à pessoa humana só é possível com Maria

Os devotos da Virgem devem ser um reflexo vivo de Maria. Se se mantiverem fiéis a este nobre ideal, partilharão também do dom supremo da Sua Rainha – o de iluminar os corações adormecidos nas trevas da incredulidade.


Por um sacerdote anônimo

Com a intenção de conquistar os que rebaixam Maria na Obra da Salvação, deixa-se muitas vezes de tocar no nome dela. Semelhante método de tornar a doutrina católica mais aceitável pode estar de acordo com os raciocínios humanos, mas não reflete o pensamento divino. As pessoas que assim procedem não se dão conta de que ignorar a parte de Maria na Redenção é como pretender pregar o Cristianismo sem Cristo. Foi da vontade do próprio Deus que o anúncio, a vinda, a entrega e a manifestação de Jesus não se realizassem sem Maria.

Desde o princípio e antes de o mundo existir, Ela esteve no pensamento de Deus

Foi o próprio Deus o primeiro a falar de Maria e a traçar-lhe um destino único. A sua sublime grandeza teve início na eternidade. Começou antes da formação do mundo. Desde o princípio, Maria esteve presente no pensamento do Eterno Pai, integrada à idéia do Redentor, de cujo destino fazia parte. Há muito que Deus respondeu à pergunta do incrédulo: “Que necessidade tinha Deus do auxílio de Maria?” Deus podia dispensá-la inteiramente como, aliás, ao próprio Jesus. Mas o plano de Deus para a nossa salvação incluiu Maria. Colocou-a ao lado do Redentor desde o momento em que decretou a existência d'Este. Foi mais longe: colocou-a no lugar de Mãe do Redentor, e, como conseqüência necessária, como Mãe de todas as criaturas que estavam no plano de salvação.

Maria ocupa, desta forma, desde a eternidade, uma posição elevada, única entre as criaturas, absolutamente incomparável com a mais sublime dentre elas, diferente na idéia divina, diferente na preparação recebida; e, por conseguinte, já distinta das demais criaturas na primeira profecia da Redenção, dirigida a Satã: “Eu porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua descendência e a dela; esta te esmagará a cabeça e tu procurarás picá-la ao calcanhar” (Gen. III, 15). Eis a Redenção futura sintetizada pelo mesmo Deus. Maria ocupará, indiscutivelmente, o seu lugar; já antes de nascer, e depois de nascer, e para todo o sempre, ela é a inimiga de Satã; está abaixo do Salvador, mas junto d'Ele e semelhante a Ele (Gen. II, 18), muito acima de todos os outros seres criados. Nenhum profeta, nem o Batista, está tão intimamente relacionado com Cristo; nenhum rei, nenhum chefe, apóstolo ou evangelista, mesmo Pedro e Paulo; nem o maior dos papas, dos pastores, dos doutores; nenhum santo, nem David, nem Salomão, nem Moisés, nem Abraão. Nenhum deles! Maria está acima de todas as criaturas que existirem através dos tempos; ela foi por Deus escolhida para Cooperadora na obra da salvação do gênero humano.

Viva e inconfundivelmente revelada na Profecia

A profecia continua: “A Virgem”, “a Virgem e o seu Filho”, “a Mulher”, “a Mulher e o seu Filho”, “a Rainha sentada à direita do Rei” – garantindo que a Mulher será de grande importância na nossa salvação. Que futuro lhe estará reservado? Devemos nos esforçar para entender como é de suma importância a Profecia que fala sobre o papel de destaque vivido por Maria na Religião Cristã. Qualquer profecia é apenas como uma sombra ou leves traços do que ainda vai acontecer. Mas a profecia nunca pode oferecer uma imagem diferente do fato que anuncia. Não pode contradizê-lo. A profecia que falasse sobre a Redenção em que uma Mulher e seu Filho esmagariam a cabeça da serpente (Satanás) não teria sentido se a figura da Mulher ficasse diminuída quando essa profecia se realizasse. Ora, nós acreditamos que a Profecia é verdadeira. E nós também acreditamos que a Salvação é obra da Encarnação e morte de Cristo atuando no aperfeiçoamento do ser humano, porque as Sagradas Escrituras afirmam isso. Então, Maria tem que estar inseparável de Jesus dentro da vida cristã, porque é inseparável d'Ele na obra da Salvação. Ela é a nova Eva, dependente d'Ele mas, ao mesmo tempo, necessária a Ele. Por isso, a Igreja Católica lhe dá o título de “Medianeira de todas as Graças”. Se o que a profecia revela é realmente o plano de Deus, temos que admitir que aqueles que rebaixam Maria estão fora desse plano.

A Anunciação mostra igualmente a posição central de Maria

Chegou o momento culminante das profecias, a realização do destino eterno de Maria.

Consideremos a admirável execução do plano misericordioso de Deus. Assistamos em espírito à mais importante conferência de paz de todos os tempos, à conferência de paz entre Deus e o gênero humano, e que se chama Anunciação. Nesta conferência, Deus fez-se representar por um dos Seus anjos superiores e a humanidade por aquela chamada Maria. Embora não passe de uma delicada donzela, neste dia a sorte da humanidade está em suas mãos. Eis que o anjo se apresenta com a mensagem sublime da Encarnação, que propõe a Maria. Deus manda o Anjo comunicar a Maria a sublime missão que lhe foi confiada, sem, no entanto, tirar a sua liberdade de escolha. Se Maria tivesse recusado, a humanidade não teria sido salva. A salvação do gênero humano era o maior desejo de Deus, mas, mesmo assim, Ele não quis forçar a vontade humana. Ofereceu ao homem a salvação. A este competia aceitar o oferecimento, gozando, no entanto, de plena liberdade para o rejeitar. Chegara o momento por que tinham suspirado as gerações passadas e para o qual convergiriam os olhares das gerações futuras, o momento mais crítico de todos os tempos. Houve um silêncio. Maria não consentiu logo de início. Fez uma pergunta, a que o anjo respondeu. Depois de um novo instante de silêncio, a Virgem exclamou: “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Luc. I, 38) – palavras que atraíram Deus à terra e firmaram o grande tratado de paz da humanidade.

Deus Pai quis que a Redenção dependesse de Maria

Poucos são os homens que entendem todas as conseqüências do consentimento da Virgem. Mesmo a generalidade dos católicos não mede a importância do papel por ela desempenhado. Os Doutores da Igreja têm palavras como estas: se a Virgem tivesse rejeitado a oferta da maternidade que lhe foi feita, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade não teria encarnado em suas entranhas. Que tremenda importância isto tem! “Como é aterrador pensar que Deus fez depender a vinda do Redentor à terra da sua serva de Nazaré! O consentimento da Virgem – ‘Faça-se em mim’ (Luc. I, 38) – na obra da Encarnação marca o fim do mundo antigo e o início do novo; é o cumprimento das profecias, a encruzilhada dos séculos, o primeiro fulgor da Estrela da Manhã, anúncio do Sol da justiça; é a palavra que forjou, tanto quanto é possível à vontade humana, o vínculo que fez descer o céu à terra, e levantou a humanidade até Deus!” (Hettinger). Fato sublime, por certo. Maria era a única esperança do gênero humano. O nosso destino, no entanto, estava bem seguro em suas mãos. O consentimento de Maria foi o ato mais heróico que alguém possa ter feito. Só Ela teve a grande coragem de dizer o “Sim”, tornando-se a colaboradora da nossa redenção. E o Redentor veio, não só para ela, mas para toda a humanidade desamparada, em nome da qual ela tinha falado. Com o Redentor, Maria obteve-nos o máximo de benefícios sobrenaturais designados pela palavra Fé. Ora, a Fé é a verdadeira vida dos homens. Nada mais importa. Por ela, tudo devemos abandonar e não recuar diante de nenhum sacrifício. É a única coisa, neste mundo, digna de apreço. Em conclusão, reflitamos bem, a Fé de todas as gerações passadas, presentes e futuras assenta nas palavras da Virgem.

Não há verdadeiro Cristianismo sem Maria

Para lhe agradecer este dom inestimável, todas as gerações a devem proclamar “bem-aventurada”. Excluir do culto cristão aquela que trouxe o Cristianismo à terra é absolutamente inadmissível. Que pensar, então, de muitos que a depreciam ou desprezam ou desonram do modo mais vil? Teriam eles refletido que todas as graças que recebemos nos vêm através de Maria? Que, se tivessem sido excluídos do seu consentimento no momento da Anunciação, não haveria para eles Redenção possível? Nesta suposição, eles estariam fora do alcance redentor. Por outras palavras, não seriam cristãos de modo algum, embora do alvorecer ao cair do dia gritassem sem cessar: “Senhor, Senhor” (Mat. VII, 21). Por outro lado, se, por favor de Deus, são cristãos, participantes da vida sobrenatural, é porque Maria lhes obteve a graça, incluindo-os no seu consentimento. Resumindo, o Batismo, que nos torna filhos de Deus, como conseqüência nos dá Maria por Mãe.

A gratidão por conseguinte, uma gratidão prática para com Maria, deve ser a característica de todo cristão. As nossas ações de graças devem dirigir-se ao Pai e a Maria, porque a Redenção é dádiva amorosa de ambos.

Encontramos sempre o Filho com a Mãe

Foi do agrado divino que o reinado da graça não fosse inaugurado sem Maria, e é vontade Sua que assim continuem as coisas. Quando Deus preparou São João Batista para ser aquele que viria antes de Jesus, santificou-o no momento da visita de Maria à sua prima Isabel. Na primeira noite de Natal, aqueles que fecharam as portas à Santíssima Virgem, a Jesus as fecharam também. Não perceberam que, ao despedir Maria, negavam a entrada ao Messias esperado. Os pastores que, na noite de Natal, vendo o Menino Jesus, nos representaram, encontraram o Esperado das Nações com Maria, Sua Mãe. Se tivessem voltado as costas a Maria, nunca teriam achado Jesus. Na Epifania, os gentios foram recebidos por Jesus na pessoa dos três Reis Magos; mas estes descobriram o Salvador porque encontraram a Mãe. Se não quisessem aproximar-se dela, não teriam chegado a Jesus.

A anunciação de Jesus, que aconteceu em segredo no recolhimento de Nazaré, precisava ser publicamente confirmada no templo. Jesus oferece-se ao Pai, mas levado nos braços e através das mãos de Sua Mãe, a quem pertence e sem a qual não pode apresentar-se. Mas continuemos. Dizem os Santos Padres que Jesus não começou a vida pública sem o consentimento de Sua Mãe; e o mesmo Evangelho nos informa que o primeiro dos grandes prodígios – o milagre de Caná – com que provou a autenticidade da Sua missão foi feito a pedido de Maria.

O novo Adão, a nova Eva e a árvore da Cruz

Quando se desenrolou a última cena do drama sangrento da Redenção, no Calvário, Maria estava de pé, junto da Cruz, não só porque amava seu Filho com ternura, ou por mera casualidade, mas precisamente na mesma qualidade com que estivera presente na Encarnação: estava ali, como representante do gênero humano, confirmando o oferecimento que fizera de seu Filho, por amor dos homens. O nosso divino Redentor não se ofereceu ao Eterno Pai sem que ela consentisse e O oferecesse também em nome e a favor de todos os seus filhos; a Cruz devia ser o sacrifício de todos eles, como o era de Jesus.

“Assim como verdadeiramente sofreu e quase morreu com seu Filho padecente – diz Bento XV – assim renunciou aos direitos maternais sobre seu Filho, pela salvação dos homens, e O imolou, tanto quanto estava em seu poder, para aplacar a justiça de Deus; de modo que pode afirmar-se com razão que ela resgatou com Cristo o gênero humano”.

O Espírito Santo age sempre em união com Maria

Mais um passo e estamos em Pentecostes, ocasião memorável em que a Igreja começou a sua missão. Maria estava presente. Foi pelas suas preces que o Espírito Santo desceu sobre o Corpo Místico e nele veio morar com toda a Sua grandeza, poder, esplendor, majestade e glória. Os serviços por ela prestados ao Corpo Místico são idênticos aos que dispensou ao corpo físico de seu Filho. Esta lei aplica-se a Pentecostes, espécie de nova Epifania. Em ambos os mistérios, Maria é um elemento necessário. E assim será em todas as coisas sobrenaturais até a consumação dos tempos. Quaisquer que sejam as orações, os trabalhos e os esforços, se alguém põe Maria de lado, afasta-se do plano divino; sem a presença de Maria, nenhuma graça se concede. Que pensamento esmagador! Aqui cabe a pergunta: os que desconhecem e não respeitam Maria deixam de receber as graças? Com certeza recebem, porque Maria, na Sua imensa bondade, perdoa a falta de conhecimento e indiferença. Porém, que vergonhoso entrar assim no Reino dos Céus! Não é assim que se trata a Mãe de Deus e nossa, pois é Ela que nos ajuda a ir para o céu! Todas as graças que recebem de Maria, os que assim procedem, são como um fio de água, se compararmos com o grande número de graças que essas pessoas poderiam receber. A vida sem Maria torna-se uma vida vazia e enfraquece na fé as pessoas.

Que lugar devemos dar a Maria?

Não faltam pessoas que, alarmadas, declaram fazermos injúria a Deus ao atribuir a Maria poder tão universal. Mas onde está a injúria à dignidade divina, se quis Deus dispor assim as coisas? Não seria prova de loucura afirmar que a força da gravidade escapa ao poder divino? A lei da gravidade vem de Deus e concorre para o cumprimento dos Seus desígnios, em toda a natureza. Por que dizer que ofendemos ao Criador reconhecendo a influência e importância que Maria tem no mundo da graça? Até as leis da natureza manifestam o poder de Deus. Por que, então, sendo Maria a eleita, a mais perfeita, Deus não haveria de revelar n'Ela a Sua bondade e onipotência?

Admitida a obrigação de reconhecer as prerrogativas da Santíssima Virgem, resta saber ainda como e até que ponto. “Como devo eu repartir, dirão alguns, as minhas orações entre as três Divinas Pessoas, Maria e os Santos? Qual a medida exata, nem demais nem de menos, que lhe devo oferecer?” Outros adotarão uma atitude mais extrema: “Porventura não me afastarei de Deus, se dirigir as minhas orações a Maria?”.

Todas estas dificuldades nascem da aplicação das idéias terrenas às coisas do céu. Muitas pessoas acham que se devem separar as orações ao Pai, ao Filho, ao Espírito Santo, a Maria e aos outros Santos. Pensam que essas orações precisam ser feitas separadamente. Temos muitos exemplos que nos mostram ser possível e compatível o culto a Maria, aos Santos e o culto supremo devido a Deus. Para acabar com essas dúvidas e dificuldades, a melhor recomendação é a seguinte: “Devemos entregar tudo a Deus; pois bem: entreguemos tudo a Ele por meio de Maria”. Essa forma de agir, mesmo que possa parecer exagero, nos livra das dúvidas, da preocupação de medir as nossas devoções.

Todas as nossas ações devem confirmar o “Fiat” de Maria

Que assim deve ser justifica-se pela Anunciação. Nesse momento solene, todo o gênero humano estava unido a Maria, sua representante. As palavras de Maria eram o eco da voz da humanidade inteira. Maria encerrava todos os homens em si, e Deus contemplava-os n'Ela. Ora, se a vida diária do cristão não é mais que a formação de Jesus Cristo num membro particular do Corpo Místico; e se esta formação não pode ser feita sem Maria, por ser um prolongamento da Encarnação: que concluir senão que Maria é Mãe verdadeira de cada cristão, como o é do próprio Cristo?

O seu consentimento e os seus cuidados maternais são tão necessários ao crescimento diário de seu Filho em cada homem, como o foram para a concepção, formação e desenvolvimento do corpo humano do Redentor. Disto seguem-se numerosas obrigações para todo cristão. Salientemos, entre outras, as seguintes: primeira, reconhecer Maria, definitivamente e de todo o coração, como nossa representante no oferecimento do sacrifício que, começado na Anunciação e consumado na Cruz, resgatou o mundo; segunda, confirmar tudo o que Maria fez, em nosso nome e em nosso favor, de modo a podermos desfrutar, sem medo e plenamente, os infinitos benefícios que por esse meio Ela nos alcançou. Mas, como deverá ser feita essa confirmação?

A solução deve ser a seguinte: se todos os atos da nossa vida são cristãos e nós devemos isso a Maria, nada mais certo de que cada ato seja revestido de reconhecimento e gratidão a esta Mãe, entregando-lhe absolutamente tudo o que somos e temos.

Glorifiquemos o Senhor com Maria

Procuremos tê-la mais presente no pensamento em todas as circunstâncias da vida. Vamos unir a nossa intenção e vontade às d'Ela, de forma que todos os nossos atos e preces durante o dia sejam feitos em união com Maria. Façamos as nossas orações ao Pai, ao Filho, ao Espírito Santo ou aos Santos sempre em união com Maria. Conosco, ela pronunciará as mesmas palavras; brotarão dos seus lábios ao mesmo tempo que dos nossos; em tudo ela tomará parte.

Esta forma de devoção mariana, que abraça toda a nossa vida, é o justo reconhecimento da parte que Maria desempenhou e continua a desempenhar na obra da nossa salvação. É também a devoção mais fácil; soluciona as dificuldades dos que procuram medi-la, e os escrúpulos dos que receiam tirar de Deus, entregando a Maria. Entretanto, não hão de faltar católicos a exclamar: “É demais”. Mas, onde está a ofensa? Em que Maria tira do Onipotente o culto que lhe é devido? Erram aqueles que assim pensam. Dizem-se zeladores da dignidade de Deus e, no entanto, não se conformam e não aceitam o plano que Deus traçou para Maria. Não observam os versículos da Bíblia que falam das grandes coisas que em Maria foram feitas pelo Onipotente, e que dizem que todas as gerações a chamarão “bem-aventurada” (Luc. I, 48-49).

A esses indecisos é necessário expor claramente a riqueza e plenitude desta devoção. Como poderiam os devotos de Maria falar de outro modo? Palavras que diminuíssem ou rebaixassem Maria iriam transformá-la num mistério. Se Maria fosse apenas uma sombra vaga ou se o seu valor fosse apenas alguma coisa criada por nosso sentimentalismo, as pessoas que não a valorizam estariam com a razão. E os católicos estariam errados. Por outro lado, falar de seus títulos de glória e do lugar essencial que ela ocupa na vida cristã é um desafio. E todos aqueles que possuem um coração capaz de perceber as influências da graça não podem fugir a esse desafio. Essa atitude levará os indecisos a um exame calmo do papel de Maria e eles se prostrarão a seus pés.

Os devotos da Virgem devem ser um reflexo vivo de Maria. Se se mantiverem fiéis a este nobre ideal, partilharão também do dom supremo da Sua Rainha – o de iluminar os corações adormecidos nas trevas da incredulidade.

“Santo Alberto Magno, o grande mestre de Santo Tomás de Aquino, tem uma frase encantadora no comentário à passagem evangélica da Anunciação: ‘O Filho elevou ao infinito a excelência da Mãe: é que a infinita bondade do fruto revela a bondade infinita da árvore que o deu’. Na prática, a Igreja Católica considera a Mãe de Deus dotada de um poder ilimitado no domínio da graça. Reconhece-a como Mãe de todos os resgatados por causa da universalidade da sua graça. Em virtude da Maternidade divina, Maria é, tirando as três Divinas Pessoas, o poder sobrenatural mais vasto, mais eficaz e mais universal existente no céu e na terra” (Vonier, A Maternidade Divina).