A Imaculada Estrela do pontificado de Pio IX

A definição do dogma da Imaculada Conceição suscitou um extraordinário entusiasmo no mundo católico e revelou a vitalidade da fé católica, em um século agredido pelo racionalismo e pelo naturalismo.


Por Mons. Antonio Piolanti
Tradução: Carlos Wolkartt – Catolicidade.com

Desde as seis da manhã daquele dia 8 de dezembro de 1854, as portas de São Pedro estiveram abertas e, aos olhos, a imensa basílica já estava repleta de fiéis. Na capela Sistina, onde estavam reunidos 53 cardeais, 43 arcebispos e 99 bispos, vindos do mundo inteiro, teve início uma grande procissão litúrgica que se dirigiu até o altar da Confissão, na basílica do Vaticano, onde Pio IX celebrou a Missa solene.

Ao terminar o canto do Evangelho, em latim e grego, o cardeal Macchi, decano do Sacro Colégio, assistido pelo membro de maior idade do episcopado latino, por um arcebispo grego e um armênio, prostrou-se aos pés do Pontífice implorando-lhe, em latim e com voz surpreendentemente enérgica para seus 85 anos, o decreto que havia de ocasionar a alegria no Céu e o maior entusiasmo em toda a Terra. Após entoar o Veni Creator, o Papa sentou-se no trono e, portando a tiara sobre a cabeça, leu com tom grave e voz forte a solene definição dogmática.

Desde o momento em que o cardeal decano fez a súplica para a promulgação do dogma até o Te Deum, que foi cantado depois da Missa, ao sinal dado por um tiro de canhão vindo do Castillo de Sant'Angelo – durante uma hora, das onze ao meio-dia – todos os sinos das igrejas de Roma tocaram festivamente para celebrar aquele dia que, como escreve o Mons. Campana, “será até o fim dos séculos recordado como um dos mais gloriosos da história. [...] A importância deste ato não pode passar inadvertida por nada. Foi a solene afirmação da vitalidade da Igreja, no momento em que a impiedade desenfreada se vangloriava de havê-la quase destruído”.

Todos os presentes afirmam que, no momento da proclamação do dogma, o rosto de Pio IX, banhado em lágrimas, foi iluminado por um raio de luz vindo do alto. O Mons. Piolanti, que estudou os testemunhos deixados pelos fiéis que presenciaram o fato, afirma, à luz de sua ampla experiência na basílica do Vaticano, que em nenhum período do ano, muito menos em dezembro, é possível que um raio de sol entre por uma das janelas para iluminar qualquer ponto do abside onde se encontrava Pio IX, e concorda com a descrição feita pela madre Julia Filippani, das Irmãs do Sagrado Coração de Jesus, presente em São Pedro com sua família no momento da definição, segundo a qual não era possível explicar naturalmente o extraordinário fulgor que iluminou o rosto de Pio IX e todo o abside: “Aquela luz, declara ela, foi atribuída por todos a uma causa sobrenatural”.

A definição do dogma da Imaculada Conceição suscitou um extraordinário entusiasmo no mundo católico e revelou a vitalidade da fé católica, em um século agredido pelo racionalismo e pelo naturalismo. “Depois da definição do Concílio de Éfeso sobre a divina maternidade de Maria, escreve o teólogo Campana, a história não pode registrar outro fato que suscitou tão vivo entusiasmo pela Rainha do Céu como a definição de sua total isenção de culpa”.


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Fonte: Mons. Antonio Piolanti, L'Immacolata Stella del Pontificato di Pío IX. Excerto reproduzido na revista Pio IX, nº 1, Janeiro-Abril, 1988, p. 42.