A Comunhão na mão deve ser rejeitada

É inacreditável que existam aqueles que preferem expor a hóstia consagrada, que é verdadeiramente o Corpo de Cristo, o Deus-homem, aos mais terríveis e possíveis abusos ao invés de aplicar o cuidado mais escrupuloso para protegê-la.
Tradução: Carlos Wolkartt – Catolicidade.com

Não há dúvida de que a Comunhão na mão é uma expressão da tendência de dessacralização da Igreja em geral, e especificamente de irreverência ao aproximar-se da Eucaristia. O mistério inefável da presença corporal de Cristo na hóstia consagrada pede uma atitude profundamente reverente (tomar o Corpo de Cristo em nossas mãos não consagradas – como se fosse um simples pedaço de pão – é algo que em si é profundamente irreverente e prejudicial para nossa fé). Negociar este insondável mistério é como se estivéssemos tratando simplesmente – e nada mais – de um outro pedaço de pão, algo que fazemos naturalmente todos os dias com um simples pão, e faz com que seja mais difícil o ato de fé na verdadeira presença corporal de Cristo. Dito comportamento para com a hóstia consagrada corrói lentamente nossa fé na presença corporal e alimenta a ideia de que é unicamente um símbolo de Cristo. Dizer que o tomar o Pão em nossas mãos aumenta o sentido da realidade do pão é um argumento absurdo. A realidade do pão não é o que importa – isso também é visível para qualquer ateu. O que deve ser enfatizado é o fato de que a hóstia é verdadeiramente o Corpo de Cristo.

Não são efetivamente válidos os argumentos sobre a Comunhão na mão baseados no fato de que encontramos esta prática entre os primeiros cristãos. Os defensores dessa ideia ignoram os perigos do inadequado restabelecimento desta prática nos dias de hoje. O Papa Pio XII falou em termos muito claros e inequívocos contra a ideia de que se pode voltar a introduzir hoje em dia os costumes da época das catacumbas. Certamente, deveríamos tratar de renovar nas almas dos católicos de hoje o espírito, o fervor e a devoção heroica que encontramos na fé dos primeiros cristãos e nas fileiras dos inúmeros mártires. Porém, simplesmente adotar seus costumes é, novamente, algo distinto; os costumes podem hoje assumir uma função completamente nova e não podemos, nem devemos, simplesmente tratar de reintroduzi-los.

Na época das catacumbas, não estavam presentes os ameaçadores perigos da dessacralização e da irreverência. O contraste entre o saeculum (secular) e a Santa Igreja estava constantemente presente nas mentes dos cristãos. Assim, um costume que naquele tempo não estava em perigo pode constituir um grave perigo em nossos dias.

Levemos em conta como São Francisco [de Assis] considerou a extraordinária dignidade do sacerdote, que consiste exatamente no fato de que lhe é permitido tocar o Corpo de Cristo com suas mãos consagradas. Disse São Francisco: “Se eu me encontrasse ao mesmo tempo com um santo do céu e um pobre sacerdote, primeiro mostraria meu respeito ao sacerdote e rapidamente beijaria suas mãos, e logo diria: Espera, São Lourenço [de Huesca, o Diácono], porque as mãos deste homem tocam a Palavra da vida e são superiores a tudo o que é humano”.

Alguém poderia questionar: “Mas São Tarcísio não distribuiu a comunhão mesmo não sendo sacerdote?”. Ora, em uma emergência é permitido que um leigo distribua a Comunhão aos demais. Mas esta exceção para os casos de emergência não implica uma falta de respeito ao santo Corpo de Cristo. É um privilégio que está justificado pela emergência – que deve ser aceito com o coração trêmulo (e deveria permanecer como privilégio, reservado unicamente para emergências).

Porém, existe uma grande diferença entre este caso de tocar a hóstia consagrada com nossas mãos não consagradas e aquele de tomar a Comunhão na mão como algo comumente, em todas as ocasiões. O permitir tocar a hóstia consagrada com mãos não consagradas de nenhuma maneira se apresenta aos fiéis como um privilégio inspirador. Converte-se na forma normal de receber a Comunhão, e isto alimenta uma atitude irreverente e, portanto, corrói a fé na real presença corporal de Cristo.

O leigo, a quem se outorga o grande privilégio por razões especiais, tem que tocar a hóstia, evidentemente. Mas não existe razão alguma para receber a Comunhão na mão: apenas um espírito íntimo de uma familiaridade mesquinha com Nosso Senhor.

É incompreensível o motivo pelo qual alguns cristãos insistem sobre uma maneira de receber a Comunhão que abre a porta a toda classe de abusos acidentais e até mesmo intencionais.

Primeiro, existe uma possibilidade muito maior de que algumas partículas da hóstia consagrada caiam no chão. No passado, o sacerdote observava com grande cuidado se algumas partículas da hóstia haviam caído, e se isso acontecesse, ele imediatamente as pegava reverentemente e as consumia. E agora, sem razão aparente, muitos desejam expor a hóstia consagrada a este perigo em um grau muito maior do que antes – estamos na época em que a hóstia está sendo tratada de um modo cada vez mais parecido com o qual se trata um pão.

Segundo – e este é um problema incomparavelmente pior –, existe o perigo de que um comungante, em vez de pôr a hóstia consagrada em sua boca, a coloque em seu bolso, ou de outra maneira qualquer a esconda, e não a consuma. Isto, infelizmente, tem acontecido nestes dias de satanismo revivido. Sabe-se que as hóstias consagradas estão sendo vendidas para usos blasfemos. Em Londres, conta-se que o preço é de 30 libras por uma, o que nos recorda as 30 moedas de prata pelas quais Judas vendeu o Corpo de Nosso Senhor.

É inacreditável que existam aqueles que preferem expor a hóstia consagrada, que é verdadeiramente o Corpo de Cristo, o Deus-homem, aos mais terríveis e possíveis abusos ao invés de aplicar o cuidado mais escrupuloso para protegê-la. Temos ouvido falar hoje em dia da existência do demônio, que está vagando pelo mundo na busca de almas para devorar? Não é notório o seu trabalho na Igreja e no mundo? O que nos credencia a afirmar que não haverá mais abusos à hóstia consagrada?

Quanto maior for nosso respeito e nosso amor para com a hóstia consagrada, quanto mais enérgica for nossa certeza na santidade inefável da Eucaristia, maior será nosso horror quando ela for profanada, e maior será nossa avidez para protegê-la de todos os possíveis abusos blasfemos.

Por que deveria se introduzir a Comunhão na mão em nossas igrejas quando isto é evidentemente prejudicial, quando certamente não aumenta nossa reverência, e quando expõe a Eucaristia aos mais terríveis abusos diabólicos? Realmente, não existem argumentos sérios para a Comunhão na mão. Por outro lado, existem inúmeros argumentos gravemente sérios contra isso.